Dois ao Avesso | Douglas Colombelli | Desirée Melo | About



Gostaria de agradecer a todos os professores, técnicos e acadêmicos do DAC(Departamento de Artes e Comunicação) da UFMS(Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) pelo carinho e cuidado com a exposição. Em especial ao apoio do Prof. Msc. Darwin Longo , Prof. Dr. Carla de Cápua, Prof. Msc. Venise Melo, ao técnico ( e acadêmico de Artes Cênicas na UEMS) mestre Adilson de Oliveira , aos professores e acadêmicos do curso de música que contribuíram em perfeita harmonia com a abertura da exposição, ao acadêmico Apres e a todos os que integram o projeto de extensão que possibilitou esta atividade. Estou muito feliz em estar ali, ao lado de amigos que prezo admiro, e sempre participaram da minha caminhada.

A seguir, a release da exposição:

A exposição Profissional Liberal é uma exposição que agrupa documentos
objetos e transcrições relativo a uma experiência proposta no primeiro
semestre de 2009. A experiência consistiu na distribuição de cartazes e
anúncios em meio urbano, misturadas a outros tipos de anúncios vinculados a
profissões liberais (limpo terreno/treino cães, etc...), colocando um
anúncio que sugere o trabalho de um artista plástico e um telefone. O
objetivo era constatar em que medida se poderia perceber e avaliar a função
social do artista desenvolvendo um diagnóstico de como a sociedade, o senso
comum, aborda o próprio artista, mensurável aqui de forma comparada na
relação da arte como um ofício liberal. Por sua vez a exposição conta com registros fotográficos e documentais dos cartazes e das formas de divulgação dos anúncios, com uma seleção de sete transcrições dos diálogos presentes nos telefonemas recebidos, os próprios pontos de contato público, os telefones utilizados e alguns quadros comparativos desenvolvidos durante a conclusão do trabalho.


A exposição revela uma postura conceitual que, através do
relato de experiência, busca suscitar possíveis reflexões de como entendemos
a arte na contemporaneidade e corrobora para um diagnóstico de como a
proposta artística se estabelece em um senso comum.

Confira as imagens e notícias da exposição Designare, Desenho e Deign em Cuaibá-MT

Notícias atualizadas sobre dois ao avesso aqui



Imagens aqui


Eu Fabulário no Archibrazo:

No mês de maio de 2009 a arte brasileira vai ter seu espaço em Buenos Aires- Argentina. Os artistas plásticos Douglas Colombelli e Desirée Melo abrem a exposição Eu-Fabulário, sucesso de público e crítica em Campo Grande no ano passado. A exposição contará com palestras sobre a arte do Mato Grosso do Sul, bem como sobre as práticas utilizadas na montagem da mostra.

O artista plástico Douglas Colombelli junta em sua trajetória um percurso de trabalho contínuo que começa desde sua infância, mas só a partir de 2004 o seu trabalho aparece em exposições coletivas e individuais: “É quando percebo uma quantidade mínima de maturidade em meu trabalho, tanto técnica quanto conceitual, para investir em uma carreira em que ingenuidade não conta.”Atualmente, Colombelli é mestrando em Estudo de Linguagens na UFMS e professor no curso de Artes Visuais do IESF(Instituto de Ensino Superior da Funlec).

Já a artista e designer Desirée Melo assume um trabalho teórico e prático de relevância. Foi uma das fundadoras do grupo Comtempo em 2002 e é uma figura importante no cenário das artes plásticas contemporâneas da capital, desenvolve pesquisas em que analisa os vínculos entre a arte e o designer gráfico, associadas também ao Mestrado em Estudo de Linguagens da UFMS, participou em diversas exposições no estado e suas pesquisas aparecem constantemente como referências em trabalhos de graduação.

A exposição Eu Fabulário,é um conjunto de obras bi e tridimensionais, que acontecerá na galeria do Projeto Sócio Cultural Archibrazo, importante reduto dos surrealistas do mundo inteiro desde a década de trinta, no famoso bairro de Abasto. Para tal iniciativa é importante colocar o papel fundamental da Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul, visto que a possibilidade de intercâmbio é conseqüência de ações como o Festival da América do Sul, que possibilita o contato imediato das nossas produções com o restante da América Latina. O Ministério da Cultura, por sua vez, contribuiu através do seu programa de intercâmbio.

A importância desta mostra que começa dia 6 de maio e toma todo o mês é a possibilidade de mostrar que no Mato Grosso do Sul as artes plásticas estão seguindo seu caminho particularmente, com características sociais, políticas e culturais que a fazem ser únicas:”-As diferenças dos nossos anseios são particularidades inerentes ao nosso trabalho, isto é algo que deve ser aceito e não colocado como justificativa de exclusão da arte sulmatogrossense do cenário nacional, Eu Fabulário no Archibrazo é uma ação que vem a reduzir este estigma de diferente.”-coloca Desirée.

Contatos:
Desirée Melo:
doisaoavesso.blogspot.com ; desireemelo.blogspot.com
Douglas Colombelli:
doisaoavesso.blogspot.com ; douglascolombelli.com.br
Projeto Sócio Cultural Archibrazo:
Rua Mario Bravo, 441- Abasto/Buenos Aires- República Argentina
archibrazo.org


Quando a Fundação Nelito Câmara me convidou a realizar neste II Festival de Verão uma exposição em que estariam dispostos o trabalho de artistas paraguaios, logo vi o problema de representar um país tão diverso sem cair em discursos folclóricos ou nacionalistas, o que poderiam tornar qualquer visão de um país no mínimo redutora.
O fato dos artistas plásticos Félix Toranzos e Marcos Benitez terem se colocado a favor desta ação foi de grande conforto, pois são artistas paraguaios já consagrados pela universalidade de suas obras e que com certeza caminham com coerência nesta proposta. Para o estado de Mato Grosso do Sul, encontramos na proposta dos dois artistas reflexos da nossa própria face, pois dispomos de aspectos culturais que atravessam a fronteira não nítida do oeste brasileiro, numa relação constituída sobre cicatrizes profundas, fundamentadas ainda nas guerras e uniões. Percebemos assim a virtualidade das linhas divisórias, somos um. Tratar da obra de Félix Toranzos é falar sobre uma construção a partir dos cacos. Fazer do provisório o ideal, e é justamente isto que o artista apresenta quando propõe suas “piezas de escombros” como trabalho. No manuseio de diversas matérias, o artista demonstra seu apelo pictórico como um que domina esta linguagem e que toma a materialidade de seus suportes como coadjuvantes das suas pinturas. Marcos Benitez é uma artista que dialoga sob muitas faces, com obras que tomam desde posturas instalativas até performáticas, É um que dispõe a prática artística sem preconceitos técnicos., que manipula os signos sob diversas possibilidades de linguagens, se apropriando com domínio nas suas escolhas. Desta forma, o II Festival de Verão da Fundação Nelito Câmara, cria uma janela onde a possibilidade de conhecer e dialogar com estes artistas anda em consonância com uma proposta restauradora da nossa própria identidade, com o cuidado não fazer desta uma ação diminutiva. A participação destes dois grandes nomes das artes no Paraguai é uma colaboração fundamental neste processo.
Dois ao Avesso

Hyeronymus Carl Friedrich Von Munchhausen (1720-1797) é a quem me refiro quando trato de sujeito histórico. Alemão de Bodenwerder, sedentário ao trabalhar como pagem na juventude, no posterior serviço militar se predispôs a inúmeras viagens contando aí duas campanhas contra os turcos. Na maturidade retorna a Bodenwerder, onde dissemina suas histórias oralmente. Este narrador oral é o objeto da primeira investida a Munchausen.

O Munchausen como sujeito histórico se auto representa na forma oral das suas histórias. Este se forma na experiência tal como Walter Benjamin dispõe no que se refere ao narrador clássico, um que se coloca como sábio, mantenedor das tradições locais ou como experiente viajante, características dúbias presentes unificadas neste Munchausen. O narrador (com a natureza clássica benjamniana) Munchausen criou a personagem Munchausen na sua narrativa oral, o primeiro, postumamente renasceu no espectro do segundo e ambos, de forma unificada se condensaram em diversas ressignificações.

Encontrar o sujeito histórico narrador / autor Munchausen nos predispõe a uma viajem aos seus arquivos. Observar a casa em onde Munchausen disseminou suas histórias poderia esclarecer sobre este sujeito histórico, porém, de forma museificada a estrutura original está disposta hoje como uma biblioteca, que, por sua vez, se encarregam de mais das 2000 versões do personagem Munchausen em formas impressas. A estrutura prolífica quanto as suas ressignificações dispõe a presença em uma primeira forma oral como aspecto que torna a memória do sujeito histórico Munchausen híbrido com sua personagem da narrativa oral.

Para tanto, ao existir na forma espectral imposta pelo personagem Munchausen, o sujeito histórico se desfragmenta em ficcionalidades a ponto de não encontrarmos mais nítidos os vestígios "originais" deste. O Munchausen autor/narrador benjamniano se funde ao seu personagem, e se torna desfocado frente as suas outras possíveis ressignificações. A possibilidade de constante mutação da memória submetida aos estigmas da ficcionalidade nos impõe a figura de um “tradutor”, que media e proporciona a apropriação da história e a ressignifica conforme novos parâmetros. Rudolf Erich Raspe(1736 – 1794) foi a um dos primeiros a reconstruir munchausen em uma nova obra em1785/86.

Considerações ao degustar Münchausen

Lembrem- me de mim agora. Dizer agora é a permissão de me ver póstumo!

Esperamos que aqui se veja algo além de uma viagem reflexiva metafórica que estamos exaustos de se interessar. O que não deixa de ser simples em diversos sentidos; literário, cênico, plástico. Ainda não me interessa agora discutir especificações de linguagens nem categorizações do que é ou foi, de quem fez, de quem é ou até de cópias, paródias e retomadas. Buscamos um discurso íntimo, tentando não se reduzir a um circuito fechado. Glamour é um caso raro nestas verdades individuais, mas um pouco de desabafo pode te fazer encontrar.

Para um momento como este, tomamos como importantes algumas considerações sobre momentos pessoais. Identificação aparece, pois quem vive, vive igual e morre igual, portanto não considere esta afirmação prepotência. Em um tempo póstumo, só escolhemos na vida se ainda podemos nos encontrar além como pó ou húmus.

Aos patos e marrecos

Quem se dá por curioso, não entende que ao comer torresmo pode se enganchar pelo rabo. Barões se aproveitam destes que consideram menores, constroem fileiras interligadas boca-a-ânus e se encarregam de voar oportunistas ao esforço dos desesperados. Quem tentar gritar engasga com a corda, morre babando esterco e se torna o que chamam de peso morto. Barões ainda chegam em casa dispostos ao conforto.
A violência do civilizado encanta.

De meu cavalo

O banal desencontro do meu ser ao meio me faz repensar sobre minha natureza selvagem. Sem minha genitália me predispus a pensar no infinito, logo engordei. Ainda submisso ao pobre diabo, não tardaram em me restaurar inteiro. Agora de todo formado, percebo que sou infinito...mesmo tendo um caramanchão como cicatriz.

Do cão

Me toma por obediente mas me encarrega de escravo. Motivos que apreende minha obediência: desfruta da natureza violenta que ainda carrego. Me dou por satisfeito e reconheço zelo. Porém, aviso: Não tome de supetão uma caça das minhas presas.
Nestes casos é comum estas comprovarem eficiência. Nem sempre confiança anda separada de cautela.


Dos ursos

A curiosidade matou o urso. Ao questionar sua súbita presença me enfiou pela goela dezenas de aborrecimentos. Antes de me perguntar o motivo, a posteriori recebi novo golpe. Explodi de raiva, mas não deixei de evitar minha própria imagem como troféu. Triste fim.



Um ponto, dois pontos.
de 2 de dezembro de 2008 a 1º de março de 2009
no Museu de Arte Contemporânea de MS.

Dispor sobre a exposição dos artistas Jú Maria e Dois ao Avesso é no mínimo, algo que deve ser feito com muito cuidado. Neste momento não se trata de mera convencionalidade da exposição, muito menos de predispor uma nova “aurora das artes” em Campo Grande. É um ato relacionado com a situação ortográfica de colocar pontos e parágrafos para melhor se conduzir. Ponto
Antes de mais nada, apresento a afinidade das duas propostas com um Grupo póstumo, o Comtempo. Um grupo que inevitavelmente se predispôs ao dilaceramento, seja pela convencionalidade das suas amizades, ou por tomar, em suas diversas noções, o termo virtual como uma característica inerente. As propostas dialogaram em momentos sob a custódia deste grupo. Este ruiu, ponto.
Jú Maria soma a si algumas vantagens desta relação, porém não deve ter a sua posição como artista tomada como descendente ou filial. É uma artista que desvela de sua própria experiência um jogo que traz a criação instalativa, explorando em formas sinestésicas uma atmosfera originada de uma busca memorialista. A proposta se destaca na riqueza de elementos e das particularidades na sua recepção. É onde a memória d artista está diluída para um novo entendimento. Ponto.
Dois ao Avesso é o resultado de uma sociedade. Nas relações da Internet, é o que pode ser caracterizado como fake. O sentido deste “falso” não deve aqui tomar o lado pejorativo, mas, como uma persona grega, não é uma máscara que esconde, e sim, a que revela. São dois artistas que a formam sem se desviar das suas individualidades. É como azeite e vinagre. O resultado são obras que tomam duas linhas e se complementam em consonância. A dualidade se funde na convivência e se esvai: ”Do azeite; suas ressonâncias íntimas, o imutável retrato interno humano, sem particularidades, ou só algumas poucas, muitas generalidades. Do vinagre; com larva de Munchausen no frasco, ilustrativo, particularidades, traço, vísceras, poucas generalidades, mas tem.” São trabalhos que vão desde a fotografia manipulada, vídeo, esculturas e instalações que se instituem como auto-agressoras em um mesmo espaço.

Desta forma, a exposição prima em reverenciar o intimismo de Jú Maria e Dois ao Avesso, tendo, na sua montagem, o cuidado para preservar suas diferenças, mesmo estando lado a lado.





pois bem... dois ao avesso... estar em dois é a escolha, mas ao avesso é inevitável... portanto, caracterizo dois ao avesso como um conceito, uma marca e uma consequência...

em breve, ao avesso....